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Teatro: Senhor Cidadão - Cia Milkshakespeare



    Neste fim de semana fui convidada pela atriz Elza Martins (sim, a que entrevistamos no instagram) para assistir seu novo trabalho "Senhor Cidadão" da Cia Milkshakespeare e aqui estão as considerações de quem ainda esta aprendendo sobre esse mundo teatral sobre o que assisti.
    Top teatro é pequeno e apesar de acolhedor algo que me incomoda é a arquibancada, dependendo de onde você senta perde alguns detalhes do espetáculo quando os atores e objetos estão no chão. Tirando esse pequeno detalhe sobre a estrutura do teatro ( e não do espetáculo), foi uma grande surpresa como os textos se relacionam com nosso trama atual brasileiro (sério, daria uma bela novela das 21h). A obra é baseada nos textos de "Hamlet" e "Macbeth" de Shakespeare e o texto e a direção foram realizados pelo Edu Carriel.
    O espetáculo é uma tragicomédia musical que se utiliza de nossas canções para falar de forma inteligente e bem humorada a triste realidade que estamos vivendo atualmente.

No fantástico reino de Farpa, uma Bruxa profetiza o nascimento de um herói que irá retirar o povo da miséria e se erguerá como o grande Rei da nação. Porém, este herói, fadado ao seu destino pela vontade de sua mãe, não passa de um líder medíocre e sem escolhas, que se apoia em seus seguidores para chegar ao poder. Ao se tornar rei de Farpa, ele irá enfrentar inimigos velados, a manipulação do poder, e o fracasso. Baseado nas obras “Hamlet” e “Macbeth” de William Shakespeare, “Senhor Cidadão” leva o público a uma saga nada convencional sobre poder e política, criticando o poder de escolha que muitas vezes nos é retirado pelas mãos dos que governam a nação. Com música ao vivo pela Banda Sankarah, este “quase musical” também se coloca como uma crítica social e política ao atual momento brasileiro.
    É o típico espetáculo que a frase "Vamos rir para não chorar" se aplica e você dá risada mas a vontade é real de chorar porque ele escancara o muito do que vivemos hoje, uma manipulação geral onde o mocinho e vilão são os mesmos e tão manipuláveis quanto nós, que fazemos parte do espetáculo cênico e real, somos colocados onde estamos porém nos chamando para percebermos a nossa inercia e aceitação inconsciente do que acontece. Eu me vi no lugar dos amigos, no lugar do próprio herói, no lugar do vilão e sua ira, no lugar da mãe e no lugar em que eu realmente estou como cidadã calada.
    Temos no elenco, Amanda Gonçalves, André Ribeiro, Edu Carriel, Elza Martins, Everson Lima, Ian Boato, Matheus Moreira, Rodrigo César e Ryan Portivez, cada um com sua importância, o personagem protagonista é muito bem desenvolvido e tem uma ótima presença de palco, junto com seus melhores amigos que caminham nessa jornada, o trio tem um ótimo entrosamento e contagiam os espectadores cada qual com suas questões, algo que me surgiu dúvida é apenas o sotaque carregado de alguns personagens e outros que vieram do mesmo local que não, fiquei me questionando se isso era ou não proposital e se era, qual seria o propósito.
     Aliás, vocês querem música BBs? Que tal uma banda ao vivo toda bonita acompanhando a trama? Desde os barulhos de chuva, até aqueles sonzinhos "mágicos" que dão o clima para os diálogos, achei o máximo como utilizaram a banda que em alguns momentos assumiam vozes dos personagens. A banda não foi formada apenas para o espetáculo, ela se chama Sankarah e me vi diversas vezes observando eles manuseando os instrumentos que me despertaram muita curiosidade.
Foto: público

   Eu deixei para o final mas me cocei para não mencionar no primeiro parágrafo: a concepção de arte, a cenografia e os figurinos me deixaram sem palavras, os acessórios cênicos bem trabalhados e usados em cena preenchem os espaços e trazem vida ao palco que nada tem além dos atores. A cada troca de roupa, eram suspiros apreciando a delicadeza, praticidade e beleza dos figurinos que estavam de acordo com toda a proposta cênica. A concepção de arte é do Edu Carriel, Elza Martins e Ian Boato, Figurino, cenografia e bonecos do Ateliê Na Casa de Lutim, tudo feito com muito carinho e cheio de detalhes que só agregam. (SPOILER: O Detalhe do "cajado", sei lá o nome, do Padre finalizado com um fauno é muito bem usado em cena).
   O design de luz é da Aline Sayuri e Vinicius Benhami e sua operação por Yumi Mandu. Infelizmente a iluminação foi o único ponto que me incomodou (não tanto quanto a estrutura do TOP Teatro e ter perdido algumas ações no chão), não sei se tiveram algum problema na mesa de luz ou não podiam alterar os refletores (isso acontece muito), mas tinham algumas cenas que aconteciam de um lado do palco que não eram iluminadas e em diversos momentos as luzes se apagavam por completo e voltavam, como ocorreram diversas vezes, minha cabeça já começa a criar teorias doidas analisando se é um problema técnico ou não, isso deu uma desestabilizada em quem assistia (nas primeiras vezes achava que a cena ia se alterar depois do "apagão", o que não ocorria e me faz pensar que talvez seja algum problema técnico).
    Eu realmente acho que tinham que expor esses figurinos, ainda não superei eles, o grupo aproveitou muito os últimos acontecimentos para nos dar aquele chacoalhão difícil de engolir, manipulável e divertido (bem politica brasileira né mores?)
   Se eu recomendaria? Já recomendei! Só não viu quem não segue o blog no insta!

Serviço:
Gênero: Tragicomédia Musical
Recomendação: 14 anos
Duração do espetáculo: 95 minutos
Temporada: De 06 a 27 de Abril de 2019
Horários: Sábados às 20h.
Valores: R$ 50,00 Inteira |  R$ 25,00 Meia.
Você pode adquirir os ingressos online pelo Alô Ingressos.

     Para chegar até o TOP Teatro, eu desci na estação São Joaquim (mas você pode descer na Brigadeiro também), segui em direção a Rua Pedroso, quando avistei o Ágora Teatro, entrei nessa rua e segui linda e bela até encontrar o TOP Teatro. Fiz o caminho inverso para a volta e o percurso entre a estação e o teatro, andando, durou em torno de 15minutos. O espetáculo ocorre em dois atos e temos 10 minutos de intervalo.

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