Her (Ela) - Filme sobre relações humanas (e virtuais) em um mundo contemporâneo

outubro 25, 2018


     Tinder, Happn, Baddoo, Facebook, Whatsapp e assim continuamos com uma lista enorme de aplicativos e redes sociais criadas para serem as pontes entre os seres humanos, estabelecer uma comunicação que antes de 1877 (sem os telefones) era algo demorado e difícil. Acontece que não apenas para ser um meio de comunicação servem todos esses aplicativos, mas também para sem sairmos de casa conhecermos pessoas para um relacionamento sério, sexo casual, amizades ou qualquer outro tipo de relação que possa imaginar, tudo isso, sem esforço. Mesmo com todo o conforto e facilidade propostos, ainda temos que lidar com um outro ser humano que é imperfeito e tem sua rotina e ideias, tudo isso em contraste com nossas próprias questões pode dificultar esse vínculo, tendo em vista que já somos preguiçosos de iniciar uma conversa pessoalmente com um estranho (mas facilmente iniciamos uma conversa com alguém através do Tinder) imagina a preguiça de ceder em uma relação?! Talvez seja por isso que hoje em dia as relações são tão superficiais e rápidas.
     Mas e se criassem um sistema operacional que se aperfeiçoa a cada minuto em você? Tem uma voz que te agrada, sabe seus gostos, respeita seus limites e até expressa sentimentos? É então que nadamos dentro da trama do filme Her, dirigido por Spike Jonze e lançado em 2014 o filme atemporal nos apresenta Theodore (Joaquin Phoenix) que é um escritor de cartas. Isso mesmo queridxs, as pessoas não sabem como demonstrar afeto e precisam de um terceiro para fazer isso. Se eu iria amar essa profissão? Sim senhor! Mas seria triste pensar em todo o contexto dela. E eu sinceramente não acho isso tão difícil de acontecer, depoimentos prontos, poemas repetidos, sentimentos que escondemos, joguinhos, tudo mantido dentro de nós mesmos, algo que hoje nos machuca mas que com o tempo não será algo natural? Amar e não saber dizer, porque não fomos ensinados a expressar.


     Continuando, Theodore frustradíssimo com seu divórcio resolve comprar um sistema operacional que irá te acompanhar durante os dias. Uma voz que é sua, afinal, você a comprou certo?! Acontece que com a inteligência desse sistema o moço protagonista de coração partido que escreve cartas, se apaixona e o melhor (e mais desejável por todos nós): o sistema (nomeado Samantha) corresponde a essa paixão. E assim se inicia um romance que tem tudo para dar certo, um romance ideal.
    Os atores são tão bons que Theodore contracena sozinho praticamente o filme inteiro e mesmo assim te faz entrar nessa pira que te confunde bastante. É de fato tudo isso real? E mesmo quando parece muito real é triste e vazio, uma solidão amarga que dói enxergar quando ampliado dentro de um filme de 2horas porquê você sai dele percebendo o quanto é uma realidade presente em nossa sociedade.
    A Luiza Franco fez uma Reflexão Psicológica do filme Her digna que cutuca uma ferida que é difícil de aceitar: buscamos um outro ser humano sem problemas assim temos todo o tempo do mundo para resolvermos OU ignorarmos os nossos. Seres humanos que preferem viver sozinhos ou criarem uma realidade alternativa para simplesmente não terem que lidar com o outro. O medo de se relacionar com alguém e ter que sair de sua zona de conforto nos afunda diariamente para dentro de nós mesmos e nos afasta de uma relação sincera e concreta.


    Fica aqui uma dica de filme para assistir sozinho ou com aquele amigx que topa bater um papo reflexivo depois, simplesmente não é possível terminar de assistir e beber uma cerveja comentando sobre as fofocas do dia. O filme é denso com uma fotografia leve e divertida, talvez para amenizar os fatos ou como uma grande metáfora da nossa vida de aparências.

Me indiquem filmes que me deixem pensativa depois, por gentileza!

You Might Also Like

18 comentários

  1. Ainda não assisti esse filme por medo das reflexões que terei kkkk
    Já amo a Siri e imagino que iria me apaixonar pela Samantha que iria me compreender e fazer tudo o que eu realmente quero kkkk
    Um filme que me faz pensar bastante em como somos ignorantes é "O Jogo da Imitação" que conta a história do Alan Turing, cara que criou a base do computador e ajudou a vencer a 2ªGM, mas que por ser homossexual acaba sofrendo castração química e isso acaba com toda a identidade dele.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Menina, só de ler esse seu resuminho minha cabeça já deu um bug. Socorro que preciso assistir isso aí.
      Obrigada pela indicação ♥

      Excluir
  2. Miga sua louca, como não conhecia seu blog antes? Ultimamente to amando indicações de filmes por que ando muito netflixsseira hahaha (eu inventei esse termo) e nossa adorei a proposta dele, ele está na netflix? beijos ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Miga o blog tava parado hahaha
      Se joga nesse, tem no netflix sim

      Excluir
  3. Bem, eu lembro quando assitir Her. Logo de cara foi um beslicão no meu ser. Sabe aquele papo que dizem: bateu, doeu, pega que é teu? Pois é. O costume em ter um vínculo artificial pelo internet e app. Você se acostuma a filtrar as pessoas, pelas fotos, pelo ig, pela descrição do perfil. Quando você conhece melhor depois de um ou 3 encontros, não é bom o bastante. Her é um filme bastante crítico: "Olhe para você, buscando alcançar suas expectativas nas pessoas, esperando que elas te supram, e se frustando por não saber sobre si próprio e sobre seus sentimentos. Ah que chato, melhor ficar só! Não é capaz de mudar as atitudes porque o que vale a pena é (não ser vulnerável aos sentimentos do outro )". Mas lá no fundo, bem no fundo, você é sozinho e vazio. Você se apaixonaria por qualquer pessoa que tocasse seus medos e os tornasse distantes. As pessoas apenas precisam dar uma chance! Obrigada pela indicação e pelo texto :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Você se apaixonaria por qualquer pessoa que tocasse seus medos e os tornasse distantes." essa frase é muito real.
      Obrigada pelo comentário :*

      Excluir
  4. por mais que eu esteja em uma pega só series no momento ja fiquei louca para assistir com toda a certeza
    nao conhecia o filme porem achei a historia toda muito bacana
    bjokas
    MEU BLOG Coisas da Bueno

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Miga, é só um filme no meio das séries, vai com tudo haha

      Excluir
  5. Ainda não assistir esses filmes, mas vou anotar na lista e assistir

    ResponderExcluir
  6. Oiii! :)
    Esse é um filme que desde que saiu eu estou ansiosa para assistir! Mesmo com todos os comentários que já li estou curiosa :p

    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Que ótima indicação! Também amo escrever sobre filmes e digo que tu escreves muito bem, és um ótimo artigo :D Seria muito legal exercer a profissão de escritor de cartas haha mas como você disse, este contexto não seria legal; mesmo que seja possível acontecer realmente com frequência. Ah, e curto muito esse autor! Parece ser um filme muito bom :) Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu não o conhecia, ficarei mais atenta nos trabalhos dele. Que ótimo que curtiu o artigo, obrigada!

      Excluir
  8. Joaquim Phoenix faz, eu assisto! Esse homem é o que tem de melhor no cinema contemporâneo, perfeito pra absolutamente todos os papeis! Her é um dos meus favoritos dele (perdendo só pra Johnny e June por razões sentimentais) e que tapa na cara, né? Muito louco pensar que a "Siri" pode, um dia, se tornar nossa maior companhia.
    Mas, por outro lado, eu defendo arduamente as Redes Sociais como forma de auxiliar a comunicação e aproximar pessoas. Hoje sinto que conheço muito mais o que meus amigos pensam, sentem, gostam do que 10 anos atrás, e isso me deixa ainda mais conectada a quem eu gosto e aberta a conhecer melhor outras do mesmo ciclo. Com certeza me relaciono melhor pessoalmente com o auxílio do virtualmente!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Miga,vou ficar de olho nele porque não o conhecia reaaaaal.
      Eu não tenho IOS mas meu amigo tem e comentou a mesma coisa sobre a Siri.
      De fato, auxilia muito na comunicação etc maaaas existem pessoas realmente sós que não pensariam duas vezes nessa opção.

      Excluir
  9. "Seres humanos que preferem viver sozinhos ou criarem uma realidade alternativa para simplesmente não terem que lidar com o outro." Essa é uma questão que eu levanto bastante nas minhas terapias. Acho que todo mundo tem medo de nunca conhecer de verdade a confiança de outra pessoas... mas em alguns esse medo é maior que outros. As redes sociais nos aproximam e nos afastam ao mesmo tempo.
    Adorei a análise do filme. Já tinha ouvido falar, e agora fiquei com mais ainda vontade de assistir :)
    beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato, ao mesmo tempo que nos aproxima nos afasta. Muito louco, ótimo comentário.

      Excluir

Popular Posts

Envie sugestões

Nome

E-mail *

Mensagem *

Postagem em destaque

Marcas brasileiras do amor

   Virá e mexe algumas marcas veganas surgem em meus feeds e descubro algo novo através de amigos. Por que não compartilhar com vocês alg...