Espetáculo Teatral: Somente uns restos de água em uma piscina vazia - Cia. Múltiplas

junho 25, 2018


    Olá pessoinhas, tudo bem? Como sabem, deixei de fazer os Encontros Solidários de Blogueiros e as postagens aqui no blog são menos frequentes. Isso porquê me desafiei a fazer teatro, mas pra fazer teatro hoje em dia, é preciso ter uma segunda profissão para sustentar a primeira (por enquanto, amém).
     Finalizei em 2017 o curso de Licenciatura em Teatro na FPA - Faculdade Paulista de Artes, a partir do terceiro semestre os alunos escolhem um Diretor para fazer montagem, depois de tantas escolhas dramáticas, no ultimo semestre (de estágio, trabalho, TCC etc), eu e minhas colegas encaramos fazer a montagem com um Encenador que nunca havíamos tido contato e em uma estética que também nada tinha ligação com o trabalho que vinhamos realizando. Foi um desafio.
   Desse último processo foi criado o espetáculo de Teatro Performativo "Somente uns restos de água em uma piscina vazia". Foi uma experiência diferente, com um resultado muito além dos nossos outros trabalhos. O mais interessante? Finalizamos o espetáculo apenas com mulheres (incríveis inclusive) e no meio de nossas confusões, nos entendemos e sentimos um tesão imenso a cada apresentação.


   Por conta desse tesão imenso, resolvemos ir em busca de oportunidades de compartilhar essa criação e esses orgasmos que tínhamos em cena. A Cia Mungunzá de Teatro  nos ofereceu a oportunidade e cá estamos nós, doidas, em nossa primeira temporada FORA da faculdade, fazendo o que nos dá prazer.
  A Cia Mungunzá de Teatro (R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, São Paulo - SP, 01212-000tem espetáculos que nos arrepiam do inicio ao fim, escolhas contemporâneas, textos e ações que nos atacam e nos paralisam pensando em nossas próprias ações. Eles, depois de anos de Companhia, construíram o Teatro de Contêiner, um teatro feito de 10 contêineres próximo a estação da Luz.

"O terreno era mais um dos “vazios urbanos” da nossa cidade – uma área pública com grande potencial sociocultural, mas que se mantinha sem utilização pública plausível. (...) A proposta da Cia Mungunzá é unir-se àquelas pessoas/grupos que contribuem com o Poder Público na manutenção de áreas de lazer, esporte e cultura, com o exercício diário e vivido da democratização dos espaços públicos. Contribuindo para a construção de uma cidade mais humana e mais plural, e, de quebra, conquistando a autonomia de destinar verbas antes direcionadas aos alugueis, ao desenvolvimento artístico de um todo, possibilitando uma existência mais sólida e duradoura."
  
  Mas Bruna, o que é Teatro Performativo? Para entender isso, é preciso entendermos o que é o Contemporâneo. Segundo o "Dicionário da Performance e do Teatro Contemporâneo" de Patrice Pavis "O contemporâneo é sempre o que se recusa do passado, o que se quer, portanto, ultrapassar, o que se deixa de lado para passar a outra coisa, ainda desconhecida. É também a capacidade de renovar o presente, de retornar à ação de modernidade.", entendo isso como uma arte que tenta sempre ultrapassar a própria arte presente, trazendo "formas e obras inovadoras ou experimentais". Como o próprio Patrice Pavis, "Definir uma arte, uma estética contemporânea, esbarraria rapidamente na impossibilidade de estabelecer uma lista de critérios". Claro que, assistindo aos espetáculos contemporâneos reconhecemos algumas características frequentes, porém, a ideia aqui não é rotular e não sou (ainda, ilumina Senhor), nenhuma especialista.

    Enquanto no Teatro Dramatico procuramos a representação, ou seja, uma construção da ilusão, se baseia em "uma série de referências que remetem ao mundo e à ordem de coisas que vivenciamos, mas que é distinto deste pela irrealidade que reveste os seus atos.", neste mesmo texto do qual recortei essa última fala, Daniel Furtado Simões destaca que para que esse teatro ocorrá, é preciso que o espectador tope, entre nesse jogo e acredite (mesmo sabendo que é ficção) na história, caso contrário, o teatro dramático não acontece. No Teatro Performativo vamos no sentindo contrário o dessa ilusão "Há um movimento de desconstrução dos signos, de ampliação da distância entre eles e seus referentes; joga-se com os códigos e com a maneira como eles se inserem na obra teatral, dificultando ou embaralhando a leitura do espectador, jogando com a sua capacidade de reconhecimento e interpretação", nesse segundo, o ator torna-se performer, o espetáculo da mais ênfase as ações e imagens, é descrito os acontecimento e não representados. Existem muitos mais detalhes sobre o teatro performativo, performance e etc. Mas essa pincelada básica já da para se ter uma ideia de por onde trilha nosso espetáculo.

"Mas Bru, entendi a proposta estética, entendi mais ou menos, porém do que se trata o espetáculo?". Calma, vou dar uma pincelada. A obra foi baseada no texto "Piscina (sem água)" de Mark Ravenhill,

"Um grupo de artistas se reencontram, alguém sofre um acidente e no decorrer da recuperação as pessoas mostram quem realmente são, a verdadeira face coloca em pauta, a falta de ética, conflitos humanos, artísticos. Até onde são capazes de chegar para atingir suas ambições."
   Não seria inteligente da minha parte lhes trazer mais informações, pois as fotos e tudo o que escrevi já diz muito. Para entenderem melhor tudo o que escrevi, só indo me ver pessoalmente nos palcos do Teatro de Contêiner.

Evento: Somente uns restos de água em uma piscina vazia
Dias e Horários: Quinta e Sexta 21h
Temporada: De 12 de Julho até 27 de Julho
Investimento: R$10
Endereço: Teatro de Contêiner (R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, São Paulo - SP, 01212-000)
Duração do espetáculo: 1h20 (no máximo)


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