O que eu quero dançar hoje? - Gravação

maio 26, 2016

Aquecimento.
    Hey pessoinhas, vim aqui para lhes contar sobre uma experiência cênica que passei no fim de semana passado (14/05). Em uma conversa sobre como poderíamos passar o processo de criação através de uma câmera com o mesmo impacto que presenciando o mesmo, a Vitória que estava com um projeto que ia por este viés me convidou para acompanhar a realização dela.
    Fiz algumas perguntas a Vitória Tavares idealizadora do projeto "O que eu quero dançar hoje?" e ela nos respondeu com todo o amor. Colocarei elas aqui e a seguir, contarei minha experiência.

O projeto surgiu a partir do encontro de duas propostas:
  • Criar e realizar  um programa ou doc com duração de 7 ou 12 min, algo que pudesse gerar continuidade. (Proposta realizada no CAV –Centro Audiovisual SBC- pela professora Denise Szabo);
  • Responder no corpo em cena o que mais te provoca e te inquieta no momento presente, no instante já. Com a pergunta: “O que você quer dançar hoje?” (Proposta realizada no CLAC –Centro Livre de Artes Cênicas de SBC- pela professora Marcela Páez).
        Antes de receber essa segunda proposta, o programa poderia ter sido um documentário sobre vida extraterrestre no ABC Paulista, histórias das viagens do meu pai pela América do Sul e várias outras ideias que me passaram pela cabeça, mas ao receber e realizar essa proposta no CLAC consegui ver a dimensão política, poética, estética, social que aquelas danças tiveram,  pensei, porque não juntar?
Esquematizei todas as ideias em um projeto, visando interligar as duas linguagens e as duas escolas em uma experimentação dançante. Mostrei e discuti a ideia com as professoras e amigos, que deram apoio e dicas, entretanto foi quando mostrei a ideia para a Tamara Ka (Que também é minha professora no CAV, de História da Arte e Estética) que fiquei ainda mais empolgada, já que ela me incentivou e demonstrou gostar bastante da proposta. A Tamara é vídeomaker profissional e apresentou a turma, durante as aulas, a conexão entre o audiovisual e dança, teatro, performance etc, que foi o principal motivo que me levou a estudar cinema no CAV.
O trabalho era em grupo, mas decidi fazê-lo sozinha por “N” questões. Tendo ele esquematizado e totalmente programado, “só” faltava uma equipe para torná-lo real. Foi então que conversei com a Mayara Marini (Também estudante do CLAC e de audiovisual e integrante da produtora independente Canela Produções), ela curtiu a ideia e começamos a pré-produção juntas! Nessa parte logo no comecinho entrou a Coral (Caroline Paiva) e juntas começamos a convidar os envolvidos, conseguir equipamento, mais gente para ajudar na equipe etc. A Mayara Marini recentemente fez um DOC chamado "Ecos da Periferia - Entrelinhas e Letras" assista aqui)
     Questionando qual o principal objetivo do projeto, disse que "era realizar uma experimentação de conexão de linguagens: vídeo e artes cênicas. Descobrindo o que é uma câmera dançante e como a preparação corporal e pesquisa conjunta do interprete e cinegrafista influi no resultado do registro de uma dança, cena, etc e na realização de um produto cinematográfico. Contando todo esse processo através de um programa, por si só, também experimental. Agora pensando em performance como a radicalização de uma linguagem, me pergunto se também não posso assim catalogar essa ideia, mas por enquanto acho melhor não definir.




    Contando sobre minha experiência com toda essa ideia maluca: quando o processo foi iniciado, começamos com aquecimento corporal e logo no aquecimento a câmera já estava presente. Confesso que essa história de câmera mexe um pouco comigo, não sei lidar e talvez seja este um dos motivos pelo qual ainda não tenho canal. Então, participar de um alongamento sabendo que ele estava sendo registrado de inicio foi incomodo, mas conforme participávamos das atividades, pude associar a câmera a apenas mais um participando de algo comigo. Deu uma aliviada, até começarmos a gravar a parte final. Após o alongamento, uma proposta de "O que você quer dançar hoje?" foi feita a dançarina Bruna Borges e isso fez-me refletir. Queremos dizer várias coisas a todo o instante, enquanto encenamos uma cena, talvez aquilo não seja o que no exato momento em que é feito, seu sentimento e mensagem seja aquele, então, o que queremos dançar afinal? O que queremos dizer? O que estamos sentindo e por que muitas das vezes não somos capaz de expressar em palavras? Por que muitas das vezes não somos capaz de nem expressar com um olhar mas o corpo, o corpo está ali para nos mostrar a verdade e utiliza-lo para trazer algo a tona, é poderoso, é libertação e é auto-conhecimento. Senti vontade de dançar por aí e convidar as pessoas a dançarem também. Pensando mais criticamente, creio que como artista estar presente e ser uma expectadora ativa me fez enxergar algumas coisas: nosso agir não é apenas agir quando estamos diante de um público, seja ele presente ou não (câmera) e tudo o que fazemos, torna-se ação. Nosso corpo dança a todo instante e explode sem querer o que sentimos, estar em observação sendo observado é um trabalho árduo. 

     Pensando em como é estar dançando com público ativo presente e não presente, deve ser algo bem diferente para o artista que enquanto cria é assistido. A parte da experimentação e processo de criação foi bem intenso, sentimentos variados e um corpo que se transformava conforme os sentimentos, conforme as músicas, ritmos, ideias, um corpo que dizia mil ideias mas que todas se tornavam uma. Após esta experimentação, a Bruna Borges pode escolher onde, a música e os movimentos que permaneceriam no projeto final, o que seria a entrega pronta da experimentação, normalmente apenas este final é visto pelo espectador fazendo-o se distanciar e não entrar em todo o processo de construção, que é importante e rico para o resultado final, com o projeto, essa barreira pode ser quebrada.
Mas qual seria então, o resultado que o projeto deve obter?
     O resultado era desde o começo imprevisível, a experimentação certamente aconteceu no dia e isso para mim foi o essencial e é isso que quero para todas as outras experimentações. Agora quanto ao que iremos apresentar para quem não vivenciou aquele momento, eu não sei. Estamos montando o material em vídeo e depois vem a publicação, acho que está cedo para dizer onde chegamos e que eu não sou a pessoa certa para isso. E que cada gravação será uma gravação, e que não deve existir um objetivo tão direcionado para essa parte do processo que será única e variável a depender dos experimenters e das propostas por eles apresentadas.


      A dança não é apenas uma modalidade que te faz entrar em contato com uma cultura ou que te ajuda a perder peso, a dança traz signos, traz movimentos que podem ser conectados a sentimentos, que SÃO conectados. O corpo quando vivo transmite aquilo que se passa no seu intimo, seja dor, seja paixão, seja tristeza e assim como os movimentos impensados que nos dizem algo, podemos nos apropriar da dança e de seus movimentos para dizer algo. O corpo dançante, é também texto, é também ação, é também cena e conflito.
Gravação da cena final.

     E você, o que você quer dançar hoje?

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